Apresentado projeto de revitalização do Mercado Municipal de Tatuí

Apresentado projeto de revitalização do Mercado Municipal de Tatuí

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Com recursos conquistados agora como estância, obra é detalhada

Da reportagem

Nesta terça-feira, 10, aconteceu uma reunião extraordinária, no Centro Cultural, com os conselhos da Pessoa com Deficiência, do Patrimônio, de Políticas Culturais e do Turismo, na qual foi apresentado o projeto de revitalização e adequação do Mercado Municipal de Tatuí.

O secretário-adjunto da Cultura, Rogério Vianna, contou que, em setembro do ano passado, quando Tatuí ainda não era estância, já havia começado a ser avaliado e apurado, em termos de projetos, o que poderia ser feito por Tatuí quando alcançasse a elevação turística.

“Em setembro do ano passado, na reunião do dia 2 de do Comtur (Conselho Municipal de Turismo), que é quem aprova o projeto que vai ser aplicado para a estância turística, foi aprovada a revitalização e a adequação turística do Mercado Municipal.”

Vianna explicou que, quando o projeto for aplicado no sistema de estância turística, esse será o título apresentado como objeto e justificativa, em consonância com o Plano Diretor de Turismo.

Também comentou que o projeto fora aprovado por unanimidade na época e, após isso, criado e instituído um comitê para estudar e elaborar a revitalização e a adequação do Mercado Municipal.

Esse comitê foi formado pelos quatro conselhos e seus representantes, além do poder público, como as secretarias de Mobilidade Urbana, Meio Ambiente, Agricultura e Negócios Jurídicos.

O secretário-adjunto também lembrou que, em todas as terças-feiras pela manhã, foram realizadas ações em conjunto com a Fatec de Tatuí para auxiliar na estruturação do documento e do projeto. “Foram feitos muitos estudos e diagnósticos”, acentuou.

Vianna também enfatizou que o projeto que mudará o “ao redor” do Mercado Municipal. “Hoje, nós sabemos que ali é um lugar marginalizado, é um lugar que a própria população evita frequentar e, quando vai, vai com um único objetivo, quase sempre para pegar ônibus. E é isso que a gente vai mudar nessa concepção”, antecipou.

“Com isso também, vamos fazer a cidade entender o papel de ser estância turística”, acrescentou. Além disso, defendeu que a importância de se considerar toda a região como potencial turístico.

“Estando aqui dentro da cidade, você pode se locomover para Cesário Lange, para o Mavsa, em 20 minutos; você pode fazer turismo na Torre de Vigia, que recebe por ano quase cem mil turistas do Brasil inteiro. E a hospedagem vem para cá, a alimentação vem para Tatuí”, citou.

“Estamos a 20 minutos do centro de paraquedismo. Não temos que ter tudo; temos que ser o ponto estratégico, a Cidade Ternura, a cidade que apoia, a cidade que, quando a pessoa vem para cá, quer habitar, quer residir, ou, quando vai embora, tem o desejo de voltar”, ponderou.

Vianna também declarou que, quando a obra ficar pronta, dará “percepções” de que estará acontecendo algo diferente. “Estamos pensando em uma readequação urbana na cidade, começando na Praça da Matriz, descendo pela rua Prudente de Moraes – que não será uma rua de passagem, mas uma rua de passeio – para chegar ao Mercado Municipal. Ali, se conhecer o que está sendo planejado e que, claro, depois vai se estender também para a praça Anita Costa”, explicou.

Durante a apresentação do projeto, Davison Cardoso Pinheiro, representando a Fatec Tatuí, e Natália Jacomino, arquiteta da prefeitura, contaram ter sido estudada a história do Mercado Municipal para se “entender o que o local era”, no passado, “e no que se tornou ao longo do tempo, além do que pode vir a se tornar”.

“O Mercado Municipal era algo completamente diferente. Na parte central, não havia abertura. Ele tinha tijolos, que remetiam a uma linguagem fabril existente nas outras fábricas, sendo uma região representada como uma ‘Manchester paulista’, pela questão industrial, com arquitetura em conjunto, da qual ele fazia parte”, comentaram.

Eles também destacaram que o mercado faz parte de uma política prevista na legislação municipal, não sendo algo “que surgiu de repente”. “O ano de 2019 já aponta o Mercado como um local de interesse cultural e turístico”, acentuaram.

O representante da Fatec frisou que o Mercado Municipal passou por várias etapas de ampliação e adaptação, o que acarretou à perda do “espírito inicial”.

Pinheiro explicou que o “prédio novo” é independente do anterior, mas que, ao se fechar os dois lados, acabou se tornando “um corredor, como um túnel”. “Toda aquela fachada antiga ainda existe, exposta atrás desse depósito lateral, e queríamos ver como poderíamos resgatar isso tudo”, explicaram.

Também foram apresentadas as diversas mudanças efetivadas no Mercado Municipal e relatada a busca por “pistas” de como era a antiga fachada. Conforme os projetistas, o objetivo é recuperar toda a fachada original. “A diferença é grande, e a ideia é que isso fique aparente, com mármore e uma perspectiva urbana da fachada resgatada”, anteciparam.

Nesse sentido, a fachada “escondida” atrás do terminal será resgatada. “Com voos de drone, achamos a antiga fachada, com tijolinhos e todo o detalhamento que ainda existe, mas estava escondida. A partir desse detalhe, descobrimos como era antigamente”, relataram.

“A gente queria saber como era essa fachada antiga. Aqui por trás, era como era a fachada do mercado antes desses puxadinhos que foram feitos. Por dentro, encontramos vestígios de janelas que foram escondidas”, contaram. Com isso, foram encontrados vestígios do que era o mercado e que agora o projeto pretende recuperar.

Ainda foi comentado sobre outras “descobertas” e que o mercado “era belíssimo”. “Era todo simétrico e tinha um ritmo arquitetônico, e restabelecemos esse projeto”, acrescentaram.

Os projetistas explicaram que o projeto avançou com soluções que destacarão os dois prédios com cobertura, tornando-os um conjunto, mas permitindo que a fachada antiga seja vista, integrando-se à paisagem interna do Mercado Municipal.

Também contaram que o projeto buscou “entender” quem está hoje no local, para que não percam espaço. “Haverá um espaço melhorado e muito mais interessante. Todos os que estão lá, hoje, não têm garantia de permanecer, mas pegamos o número atual de ocupantes e realocamos à potencialidade de uso em um novo mercado”, informaram.

“Então, a pessoa que está lá hoje, se quiser continuar no mercado, terá um espaço muito mais interessante”, sustentaram. Os projetistas também anteciparam sobre um alargamento do calçamento, para a criação de um espaço público.

Durante a explanação, foi informado que as ruas seguirão o alinhamento já existente e a calçada será alargada para ganho de espaço.

“O mercado hoje, internamente, tem vários espaços vazios e ociosos. Mesmo as bancas que estão lá poderiam ter áreas mais otimizadas, e foi isso que norteou o projeto: manter as pessoas lá, mas de forma otimizada e compacta, em um espaço com mais claridade”, explicaram.

Ainda foi detalhado que o projeto divide o mercado em setores, como pontos de venda e manipulação de alimentos, além da criação de uma praça de alimentação. Em outra área, que se tornará um anexo, ficará o setor de “secos e molhados”, com sementes, queijos e açougue, entre outros produtos.

A parte do fundo, com um anexo que também será mantido, ficará como “área de apoio”, com sanitários e acesso administrativo. Também foi citada a criação de um espaço para hortifrúti e o acréscimo de três novos ambientes livres.

Uma área destinada aos doces também está prevista no projeto. “A ideia é criar um espaço para que os turistas tenham onde consumir os doces. Esperamos que isso atraia muitos turistas para a área”, relataram.

Durante a apresentação, foi explicado que o local terá eixos de orientação que tornarão o espaço integrado. “Atualmente, é um conjunto de puxadinhos, mas depois será possível compreender o espaço, olhar e ver a fachada, trazendo de volta ao mercado a força que foi perdendo com o tempo”, afirmaram.

Também foi destacado que o projeto está dentro de todas as normas, inclusive quanto ao número de banheiros, e que toda a parte interna terá piso nivelado.

Os projetistas agradeceram à mesa técnica pelo trabalho e comentaram que, “em todas as cidades, as pessoas buscam o mercado municipal, sendo um espaço importante”.

“Traz a ideia de conservação, e nós, que já fizemos o estudo do mercado e o tombamento de algumas partes importantes, acreditamos que isso só vai valorizar ainda mais”, argumentaram.

“Em relação à fachada, outra tendência que temos observado é a exposição imersiva. Temos tanta história para contar e valorizar na cidade, e esse também é um espaço para isso”, acrescentaram.

“Tudo o que já estudamos sobre as ondas de patrimônio, defesa e tombamento, e tudo o que já conversamos sobre valorizar o município, mostra que esse projeto só irá agregar e trará grande valor para a cidade e para o patrimônio cultural”, finalizaram.

Encerrando, Rafael Halcsick Coutinho, turismólogo da prefeitura, contou que o Mercado Municipal foi escolhido como o primeiro local a ser revitalizado com recursos da estância turística, após reunião entre o Comtur e a Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer.

“Queríamos que a primeira verba da estância fosse aplicada em um projeto no coração da cidade e impactasse tanto a população quanto os visitantes”, observou.